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10 de setembro de 2011

Cativos e Fugitivos

Eu não queria falar da fome,
Da miséria que a um povo consome,
Não pude segurar ao ver aquela cena,
Crianças, jovens, adultos que a esmo caminhavam,
Que imploravam, gritavam aos estranhos que passavam,
É doloroso, cruel, sub-humano, digno de pena.


Confesso que chorei, talvez até pecasse,
Quando me perguntei: Onde está Deus?
Vi aquela gente, aqueles animais de sede morrendo,
De fome sucumbindo e eu nada fazendo,
Pra aliviar a dor, a angústia, os sofrimentos seus,
O que poderia fazer? Confesso que não sei!


Os poderosos levam milhões para produzirem uma guerra,
Constroem máquinas capazes de destruírem a terra,
Mas são incapazes de estender a mão há um povo que sofre,
Que são incapazes de se comoverem com o choro incontido de uma criança,
Que nasce numa terra, sem vida, sem alento, sem esperança,
Não consigo acreditar no que os meus olhos veem!


E ainda dizem que lutam pela paz mundial,
Que se acham acima do bem e do mal,
E criam entidades que se dizem e intitulam mediadoras da paz,
Mas não conseguem acabar com a dor de um povo,
Que nunca viu nascer um dia novo,
Porque a sua dor, seus lamentos e sua sina, não se desfaz.


São filhos da mesma terra que se matam entre si,
Estão armados e programados para se destruir,
A noite chega, o dia amanhece e nada acontece,
O socorro não chega, gritos ecoam no infinito,
Mas quem pode ouvir este clamor, este pedido de socorro,
Enquanto isto toda esta multidão no deserto perece.


Pobre povo somaliano, envoltos em desgraças e desenganos,
Enquanto isto o mundo assiste calado o massacrar de um povo,
Esquecido, fugitivo e cativo em sua própria terra,
Sei que eles vão continuar clamando, vão continuar esperando,
Alguém ainda vai ouvir, hão de se acreditar na esperança,
No renascer da vida, no cessar da fome, no findar da guerra!



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